Foi aberta no última quarta-feira (21) (e segue até o domingo, 26), no Itaú Cultural em São Paulo, a mostra Cinema de Bordas, que reúne mais de 17 filmes de baixíssimo orçamento.

Gravado em São Paulo, com um orçamento de R$ 800, efeitos especiais produzidos no computador e divulgação praticamente toda na internet, “O assassinato da Mulher Mental” é um bom exemplo do que um dos curadores da mostra, Gelson Santana, chama de terceira onda do cinema de bordas. “É uma geração nova, que faz tudo em digital, usa o YouTube e não tem grandes pretensões de mercado”, explica o professor de mestrado em comunicações da faculdade Anhembi Morumbi.

Clássicos da borda
Os clássicos, geralmente gravados em fitas VHS e que também fazem parte da mostra atual, incluem nomes como os de Simião Martiniano, camelô de 70 anos que há décadas produz e vende seus filmes de ação no mercado do Recife, Seu Manoelzinho, que já contabiliza “mais de 50 filmes” todos rodados em sua cidade natal, Mantenópolis, interior do Espírito Santo, e Júnior Castro, de Manaus, autor da trilogia “Rambú”, o Rambo da Amazônia.

Em comum, explica Santana, eles têm a característica de explorarem aspectos próprios das comunidades onde vivem seus realizadores. “Faço para mostrar aqui mesmo, no município. A gente arranja um projetor emprestado com a prefeitura e mostra o filme na praça e nas cidades vizinhas”, revela Seu Manoelzinho, 50, que desde que ficou famoso na região por conta de seguidas reportagens na TV, diz que não tem percebido mais a mesma camaradagem da parte dos concidadãos mantenopolitanos. “Antigamente os atores iam porque gostavam. Agora, depois que comecei a aparecer muito na televisão, os atores já estão cobrando de mim o dia de trabalho. Hoje eles cobram R$ 30 por dia, e ainda querem o lanche e a comida lá”, reclama o diretor de “Rico pobre”.
Invasão de zumbis
Mais caro da mostra (R$ 50 mil), o terror trash “Mangue negro” é dirigido pelo artista plástico Rodrigo Aragão e rodado literalmente no quintal de sua casa, o longa conta a história de uma comunidade de pescadores e catadores de caranguejos de uma aldeia em Guarapari (ES) que é atacada por uma onda de zumbis. Inspirado em produções de terror como “A madrugada dos mortos” e “A hora do espanto”, o longa 100% independente é talvez um dos exemplos mais bem-acabados e premiados da seleção, contando com o uso de 700 litros de sangue artificial, machados e “muitas, muitas” cabeças degoladas.

Segue uma lista de alguns filmes participantes da mostra:
- “Insector Sun: O guardião da Terra / A hora da verdade”, de Chris Lee (2008, 40 min.), Ribeirão Preto (SP)
Agentes ninjas se juntam para ajudar o amigo a enfrentar as forcas do mal. Eles tentam salvar o planeta Terra.
- “Cocô preto”, de Marcos Bertoni (2003, 16 min.), São Paulo (SP)
Para salvar o universo, extraterrestre precisa destruir a Terra.
- “Era dos mortos”, de Rodrigo Brandão (2007, 42 min.), Belo Horizonte (MG)
Em meio a uma epidemia de zumbis, a trajetória de um sujeito e dos sobreviventes que ele encontra pelo caminho.
- “O assassinato da Mulher Mental”, de Joel Caetano (2008, 20 min.), São Paulo (SP)
Antigos combatentes do crime se juntam para solucionar o assassinato de uma mulher e descobrem que a sua morte é apenas parte de uma trama de conseqüências catastróficas.
- “A capital dos mortos”, de Tiago Belotti (2008, 85 min.), Brasília (DF)
Um grupo de amigos luta para sobreviver ao constatar que Brasília, a Capital Federal, foi invadida por Zumbis.
- “O soco silencioso”, de Lucas Moreira (2009, 15 min.), São Leopoldo (RS)
Diálogos surreais entre dois homens em um ambiente claustrofóbico.
- “Rambú IV: O clone”, de Júnior Castro (2008, 80 min.), Manaus (AM)
Um cientista cria um soldado com as mesmas características de Rambú, que se une ao travesti Put Laine – morto no filme anterior da série Rambú III, o rapto do Jaraqui Dourado -, ressuscitado em um culto de umbanda. Os dois vilões partem então para destruir a Amazônia, mas a floresta é protegida pelo Rambú verdadeiro.
-”Mangue negro”, de Rodrigo Aragão, (2008, 100 min.), Guarapari (ES)
Do manguezal de onde sai o sustento de uma comunidade de pescadores e catadores de caranguejos emergem zumbis canibais. A cada mordida, pais, amigos e irmãos se transformam em criaturas abomináveis. Até que um sobrevivente relutante e amedrontado se descobre hábil com o machado – e péssimo na hora de se declarar para a morena que faz seu coração bater.
Assista aos trailers de filmes da mostra
Fonte: G1